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O FioDaNavalha

  • A ILHA DESERTA… CONTINUA…

    No oceano longínquo, uma ilha deserta à espera de vida… uma floresta densa, de árvores milenares, de troncos secos e outros restos de umas marés-cheias bem vivas, que foram ficando por ali… a mãe natureza que resolva.
     
    Longe de tudo, a ilha de muitos ventos e alguns piratas furtivos, esquecida no mar, nunca foi porto seguro para ninguém; não tinha nada para dar também, água salgada não mata a sede… e a longa distância de outros portos de abrigo tornou a ilha num estranho recanto, que todos sonhavam visitar, mas onde ninguém queria ir…, para não falar de se estabelecer.
     
    Um dia, um forasteiro e sonhador qualquer, decidiu procurar água…, chegado à ilha por acaso, mas guiado por um objetivo que lhe dava alento no recomeço de uma nova vida, parou… e de tanta sede que tinha, não se conteve, se tivesse vizinhos teria sido chamado de louco e outros adjetivos, mesmo alguns ofensivos, meteu mãos à obra… por aí abaixo… uns 50 ou seriam talvez 70 metros abaixo… lá estava ela… a água… que lhe mataria a sede…
     
    Rapidamente a ilha transformou-se… eles foram chegando com casas, hotéis, turistas e projetos de negócios, em fogueiras noturnas queimaram os até então, intocáveis troncos de árvores milenares… a ilha deserta deixou de o ser… chegaram também os barcos carregados de gente… indiferente… onde há água há vida…
     
    Indiferente também, o sonhador não parou,  partiu… sem sede regressou à terra… e com os meios que tinha criou uma ilha num canto qualquer… onde havia água, vinho e outros deleites… e para que ninguém tivesse a ousadia de entrar na ilha, isolou-a com o mar à volta…

  • AS PALAVRAS

    São gritos da alma, formam mensagens de momentos que marcam os nossos dias.

    Bem usadas dão forma à convicção e à moralização de massas são slogans fortes que ficam na história das nossas vidas; politicamente corretas e bem usadas… estão por aí em muitas paredes e cartazes.

    As palavras dão forma a momentos de lamentos e horas de contratempos, daquelas em que tudo parece correr contra nós, na forma de frases e justificações.

    As palavras são a força de gritos, às vezes sem nexo sem explicação, dizem-nos o que são momentos, em textos no mínimo desorganizados; transcritas em textos perdidos na noite e no dia…

    Na nossa vida aprendemos a usá-las também para dar voz à alma, num evoluir natural com a própria vida… às vezes são cor-de-rosa… em declarações mais ou menos sinceras do coração e obrigatórias por outras razões… noutras alturas encobrem a mentira, necessária ou não.

    Um dia com o peso da vida e de tantos gritos de noite, as palavras são usadas para dar forma a outros lamentos… tornando a vida num muro de lamentações… o fruto das asneiras em palavras num muro de hipocrisias.

    Apesar de tudo vamos brincando com as palavras, no dia a dia e com o respeito que nos merecem, mas as frases feitas necessitam de contorno de recheio, de razões e alguma alma, para explicar os porquês…

    Hoje é muito forte a razão de escrever, de brincar e brindar com as palavras, porque há cartas abertas por responder…, mas não há palavras.

  • A CULPA

    O significado de culpa, associado ao pecado, de algo previamente considerado como errado e maldoso, é uma criação bíblica e machista que quando não descoberta deve ser confessada. 

    Quem é culpado, se for apanhado é condenado e paga por isso, na bíblia não escapa ninguém…, mas o livro sagrado vai mais longe e carrega-nos de sentimentos de culpa, porque mesmo quem não for condenado publicamente, tem que viver com a má consciência de algo errado nos atos que praticou, fez ou disse.

    Se a tal consciência for mais forte a confissão é obrigatória e aí não escapa nada, de joelhos, uma posição submissa diz-se tudo o que se fez e não se fez, alimentam-se fantasias de quem ouve, porque é melhor falar demais do que omitir algo da lista preparada em retiro de reflexão.

    Sentir-se culpado de algo é doloroso e pesado, carregar uma sensação de errado e falhanço, torna o dia-a-dia mais difícil e apertado; e isto tudo só porque alguém nos disse um dia que a diferença entre a culpa e o perdão quase não existe. A nossa culpa é assumida no momento, mas o perdão vem de um Deus num dia qualquer…, há algo de errado neste cenário.

    Uma existência, um viver responsável é assumir a nossa fraqueza, os nossos erros em momentos ou numa vida, mas sempre com olhos de ver e admitir o que poderia ser feito melhor… e se à nossa frente alguém atento nos der ouvidos… um pedido sincero de perdão é mais forte que todas as confissões…

    A culpa não existe… Deus me perdoe…

  • DE HORAS VAZIAS E OUTRAS ESPERAS…

    Gestos pequenos e quase invisíveis, porque bem escondidos, fariam a diferença nas horas que não passam…, queima-se o tempo em forma de lenha, que traz o calor necessário nas quatro paredes da tua vida.

    Amanhã mais um dia em que nem vale a pena ficar aqui sentado porque uma vez faz-se, duas seguidas seria demais…, e até porque, previamente estabelecido, é um dia de liberdade recuperada.

    É bem melhor quando o tempo não é de espera, quando não há olhares furtivos nos relógios que nos comandam nem frustração quando os sinais não acontecem, e assim podem passar as horas os dias, os anos sem sinais…, sem ardor com dor…, sem expectativa na esperança de outros dias.

    Horas vazias também são lutas na vida que não levam a lado nenhum, correrias e esforços que acabam em nada, tempos perdidos em agendas preenchidas, de folhas cheias e planos que tanto tempo queimam…, para acabarem rasgadas no lixo… 

    E lutas fantásticas de acreditar que te levam ao fim do mundo durante o sonho, e acabam perdidas porque ou falta a força, a companhia, o saber, ou pura e simplesmente não és capaz de chegar lá…, mais horas vazias que vão ficando…na mala do tempo perdido; tipo fantasmas ou outras figuras de fantasia.

    São perdas também os esforços de muitas lutas, de acreditar, porque no fim só mesmo o vazio te vai acompanhar…, mas é neste silêncio da ausência, momentâneo, neste espaço e tempo que encontras a paz, pela qual anseias na vida… e a besta acorda na noite inspirada, recheia a alma, que incontrolável transborda para aqui.

    Depois fica um coração cheio, pelo reencontro da saudade pouca vezes sentida é certo, e um ver intenso de imagens, muitos esboços que vão passando, e a questão de como foi possível tanta luta, tanto acreditar (?)…, observar a parede monótona, sem quadros, sem relevos, sem imagens que compensem o olhar fixo e casual, perdido… 

    Á espera de um quadro para preencher as horas vazias… ou será que está algum na mala do tempo perdido?

  • SOBRE MEDOS NO CAMINHO

    É um sentimento estranho de uma angústia que todos conhecemos, que nos limita as ações e decisões, o medo ata-nos as mãos em momentos chave e deixa-nos as pernas a tremer noutros mais fortes ainda; bloqueia até a voz calando gritos que deveriam sair.
     
    Inseguros com as pessoas à nossa volta que propositadamente nos metem medo, incutindo uma insegurança premeditada, ficamos perplexos sem saber como reagir. Quem te mete medo… conhece-te e sabe como te intimidar; mas também há quem goste de viver com ele de forma egoísta… certamente chamando uma mão protetora… tantas histórias por aí…
     
    As pessoas que metem medo são cínicos, arrogantes, ignorantes, fracas de sentimentos… opressoras mesmo, nenhuma pessoa de bem mete medo… mas há vidas feitas de medos.
     
    Por medo do que se possa pensar não partilhamos os nossos sentimentos com ninguém, calados engolimos as mágoas e as dores; e num teatro de encenação fácil, vamos escondendo por tempo interminável, os medos que nos ocupam a alma.
     
    Calar-se por medo… não fazer por medo… não ir por medo… a palavra “não” é também a confirmação das limitações provocadas pelo medo… que não te deixa fazer… não deixa acontecer… nem um olhar à tua volta é conseguido sem medo!
     
    Propositadamente a abusar da palavra “MEDO” nesta reflexão, marcando o sinal da presença abusiva da mesma na nossa vida; veja-se a história do soldado sem medo, porquê sem medo, quando um soldado nunca se assusta; deve defender os oprimidos.
     
    A opressão é usada para causar medo, a submissão fruto do mesmo.

  • O ACORDAR DA BESTA

    … hoje, 30 anos depois da última história… regresso à escrita que tanto me tranquilizou a alma noutras lutas, noutros tempos, noutras vidas… acordou a besta… mexeram com ela…

    … hoje incómodo comigo próprio, continuo a olhar o mundo de cima para baixo! Sei onde estou e chegar lá não foi fácil… orgulhoso de tantas conquistas, mas acima de tudo tranquilo no espírito.

    Egoísta, talvez, quero ter tempo para me defrontar comigo… naquelas lutas de   bastidores em que ninguém ganha.

    Altruísta porque quero a felicidade à minha volta… e não só de quem me ama…

    … hoje para me acalmar, continuo a procurar respostas no mar… que tanto adoro e que me roubaram… voltarei um dia a S. Pedro de Muel, quero o que é meu!

    … hoje, no entretanto vou repondo as peças do puzzle que estão difíceis de encontrar: Quem sou? Por onde andei? O que ficou de quem me acompanhou?

    Onde estão as heranças de outras andanças por aí?

    Na minha vida, no corpo e na alma?

    … hoje, das vivências que me formaram, aquelas que deram aso a estar aqui, agora, a escrever nem consigo descobrir o fio da meada… umas apagaram-se da memória, outras perderam-se no tempo e há ainda aquelas que sem terem valido o esforço, no fim até valeram a pena… há sempre algo que fica que marca, mesmo em parcas lições de vida, a questão é o que fica e onde fica?

  • SEM RESPOSTAS…

    Num mundo sem palavras claras… ficam para trás as respostas e assim se adiam os dias e as decisões mais ou menos sensatas que deveriam surgir.

    A galinha no poleiro canta melodias de gozo e festa… a escolha é ir na música ou não.

    Perde-se o tempo em quartos de hotel, abraçando sonhos de devaneio que mais não são que isso mesmo… um tempo perdido que a memória curta acabará por redimir… se for necessário.

    De resto dores distantes que te magoam deixam marcas numa luta sem respostas e sem questões porque quem as tinha já não canta no poleiro.

  • POR UM FIO

    Envoltos em teias que nos rodeiam e abraçam esquecemos o mundo que nos aguarda e envolve no discernimento; o comodismo instalado, do dia-a-dia e de outros tempos faz-se notar em apreciações ligeiras de outras batalhas em que não vale a pena lutar.

    Presos por fios e conquistas em vitórias na vida esquecemos as lutas que nos levaram às metas mais ou menos atingidas; ignoramos histórias e outros exemplos de vida que nos colocaram onde estamos. As pessoas que nos acompanharam foram ficando pelo caminho.

    Chegado o tempo dos ajustes, aquele que chega sempre só não sabemos quando, é uma contagem decrescente que nos acompanha o dia-a-dia… e a procura de argumentos fica por aí… porque já não há tempo para esperar pelas respostas.

    Pendurados num fio sem terra fino como a esperança que nos acolhe, foge-nos o chão debaixo dos pés. Está por um fio a vitória e outras conquistas… o fio da navalha…

    Photo by eberhard grossgasteiger on Pexels.com
  • SOBRE ESCOLHAS…

    … de escolhas são feitos as vidas e os caminhos… sem opções às vezes e mesmo sem tempo para julgar, a decisão é tomada sem reflexão maior e, a escolha está feita…

    E se, no dia ou dias seguintes, pode surgir o arrependimento pelo caminho escolhido, anos mais tarde essa palavra deixa de ter significado porque a responsabilidade pelas tuas asneiras, pelos teus atos é tua e só tua… e falar de arrependimento é sacudir a responsabilidade das costas…

    Foto por Lum3n em Pexels.com

    Deixa-te de culpar os outros pelas circunstâncias que te envolvem porque vais colher sempre o que semeaste em ti e à tua volta, e que está guardado no teu subconsciente, aquelas que foram as tuas escolhas.

    As tuas opções de vida moldam também as tuas formas na luta, as tuas escolhas de ontem ou de hoje, dão forma às armas que usas na batalha…

    A fórmula para ganhar…

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